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Abençoados e participativos

Com fé e atitude, derrubou limites
1 de agosto de 2021
América
1 de setembro de 2021
Foto: 123RF

ABENÇOADOS E PARTICIPATIVOS

Idosos encontram espaço na IIGD para dar vazão ao seu potencial


Carlos Fernandes


Aos 72 anos de idade, a cabeleireira Rosilda Nunes de Paiva Lima é ativa e feliz. À frente do próprio negócio na cidade de Natal, a capital potiguar, ela pertence à Igreja Internacional da Graça de Deus há 13 anos. No meio dos irmãos, ela encontra mais sentido para a própria existência. “Dentro da Igreja, sou uma serva do Senhor, que participa das campanhas e procura estar nos cultos e nas ações sociais”, diz, satisfeita. Evangelismo e ajuda aos mais necessitados são algumas de suas atividades favoritas no Reino de Deus, por meio das quais tem a oportunidade de contar aos outros as bênçãos recebidas. “Desde que eu via os programas do Missionário, sentia vontade de frequentar a Igreja da Graça”, lembra-se. Rosilda também gosta de doar seu trabalho como cabeleireira àqueles que não podem pagar. “Peço sabedoria ao Pai para dar o melhor de mim e anunciar o quanto nosso Deus é poderoso e capaz de transformar qualquer vida. Sou abençoada!”, resume. 

Na Igreja, Rosilda, de Natal (RN), encontra mais sentido para a própria existência – Foto: Arquivo pessoal

Pessoas como ela, que já chegaram à terceira idade, são cada vez mais numerosas nas igrejas evangélicas. No meio de irmãos mais novos, jovens e crianças, elas se sentem participantes de uma comunidade de fé e úteis, justamente em uma fase da vida na qual muitos já se impuseram um autoexílio impulsionado pelo desânimo, por doenças ou falta de perspectivas. Nos milhares de templos da Igreja Internacional da Graça de Deus espalhados pelo país, é comum ver gente como o aposentado José Félix dos Santos, de 81 anos, que frequenta a IIGD em João Pessoa (PB). Aliás, dizer “frequenta” não faz jus a alguém que foi um dos primeiros membros do ministério na cidade. “Estou aqui há 25 anos”, diz Félix, admitindo não ter lá muita habilidade comunicativa nas redes sociais, mas que, fora isso, “faz de tudo”.

O aposentado José Félix, de 81 anos: “Esse convívio é importante para alguém na minha idade” Foto: Arquivo pessoal

Ele, que hoje atua como obreiro, conheceu a IIGD assistindo ao programa de R. R. Soares na TV. Antes disso, Félix era de outra religião. “Eu não tinha a salvação. Depois de conhecer Jesus e entender Sua Palavra, Ele tem feito milagres na minha vida e na da minha família”, conta o ancião, que tem filhos e netos – a maioria, conduzidos ao Evangelho por seu testemunho. Após trabalhar durante anos em órgãos ligados ao Ministério da Saúde, José Félix agora possui tempo de sobra para fazer o que quer, e isso inclui a frequência assídua à casa do Senhor. “Considero esse convívio na Igreja importante para alguém da minha idade”, pontua. “Aqui, encontro companhia e sensação de utilidade”.

Essa percepção de que, após os 60 anos, ainda é tempo de frutificar para o Senhor anima a pernambucana Maria Auxiliadora, de 72 anos e moradora de Maceió (AL). “Encontrei os cultos da Igreja da Graça na TV, em 1994”, conta. Outrora doente, sofrendo de problemas renais e dores nos braços, ela orou com o Missionário e recebeu a cura divina. Auxiliadora colabora muito nos cultos, atuando como obreira na sede da IIGD em Alagoas. Ela se sente feliz com a oportunidade de trabalhar na seara do Mestre: “Participo do coral, e o Espírito Santo me usa nos louvores. Às vezes, louvo Seu Nome em línguas estranhas. Gosto de evangelizar em grupo também”, revela a idosa, com seu sotaque nordestino. Ela não quer nem ouvir falar da história de que pessoas como ela já estão cansadas e devem repousar: “Oxe, vou lhe dizer, o Espírito Santo usa quem Ele quer, da maneira como quer!”.

Auxiliadora diante de uma bela paisagem em Alagoas: “O Espírito Santo usa quem Ele quer” – Foto: Arquivo pessoal

PLURALIDADE E ENRIQUECIMENTO

Processo natural da existência humana, o envelhecimento cobra de todos o seu preço. Além das dificuldades sociais e econômicas provocadas pela perda da capacidade de trabalho e pelo reduzido valor médio de pensões e aposentadorias, a própria sociedade discrimina o idoso, embora esse quadro venha mudando lentamente de alguns anos para cá. Um dos maiores dramas da velhice é enfrentar a solidão após a morte do cônjuge e a distância geográfica, e também psicológica, de filhos e netos. Além disso, problemas de saúde mental se tornam mais agudos nessa fase. Estudo realizado, no ano passado, pela Fundação Oswaldo Cruz revelou que os transtornos neurológicos atingem cerca de 30% dos idosos. Segundo a pesquisa, a maior prevalência é nas mulheres, nas pessoas com 80 anos ou mais e que apresentam maior número de doenças incapacitantes ou crônicas.

Há diversas formas de analisar a terceira idade, e as abordagens diferem segundo o ângulo do observador. “Por meio da Psicologia, podemos olhá-la de várias maneiras. Mas, certamente, eu destacaria o estágio tardio da vida como um lugar onde o sujeito se encontra mais consciente de si como ser finito. Ele tem consciência de seu processo de envelhecimento e de sua própria morte”, aponta o psicólogo Davi Reiche, do Rio de Janeiro. Reiche menciona a necessidade de o idoso aceitar mudanças nos papéis geracionais, lidar com as perdas, com a aposentadoria e limitações fisiológicas, como um momento de revisão e desaceleração, no qual pode aproveitar seu saber e apoiar as outras gerações, mantendo seus interesses pessoais.

O psicólogo Davi Reiche: são muitos os ganhos da atividade religiosa para o idoso – Foto: Arquivo pessoal

Evangélico, o terapeuta destaca que o papel da espiritualidade na saúde mental tem sido amplamente estudado. “Desde 1998, a Organização Mundial da Saúde acrescentou a dimensão espiritual no amplo conceito da saúde, que passa a ser vista como um estado de completo bem-estar físico, mental, social e espiritual, e não apenas ausência de doenças”. Em tal contexto, estar inserido em uma comunidade de fé pode fazer a diferença. Segundo Reiche, os ganhos da atividade religiosa são vastos: “Alguns estudos mostram que ter uma religião pode promover bem-estar psicológico, reduzir os pensamentos e comportamentos suicidas, fazer bem à imunidade e combater a depressão e a ansiedade”. Por tudo isso, é fundamental a participação do idoso na igreja: “A comunidade cristã ganha com pluralidade e diversidade. Quando incluímos os idosos em nossas congregações, além de sermos agraciados com sua presença, colocamos em prática um dos mandamentos do Senhor – honrar o pai e a mãe”. Davi Reiche se lembra também do texto de Tito 2.3-5, que recomenda às mulheres mais velhas que ensinem às novas a crescer em piedade nos seus relacionamentos. “Assim, o Corpo de Cristo é enriquecido”, completa.

SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

Nazaré Rates da Rocha, 73 anos, é uma dessas que se sentem totalmente incluídas no Corpo de Cristo. “Sou elétrica”, brinca, fazendo menção às suas diversas atividades. Embora ainda trabalhe – é servidora da Universidade Federal do Acre –, ela garante que passa mais tempo na Igreja do que em casa: “Se eu faltar, fico inquieta”, diz essa dedicada obreira, que, há 19 anos, serve ao Senhor e aos irmãos com fidelidade na sede da Igreja da Graça em Rio Branco. “Participo do grupo de oração e das Mulheres que Vencem”, conta. Tal empenho é fruto da gratidão pela poderosa mudança de vida que Nazaré experimentou em Cristo. “Quando cheguei à Igreja da Graça, eu estava bem mal, com depressão e um espírito de suicídio. Encontrei refúgio aqui.”

Nazaré, de 73 anos, se define como “elétrica”: “Se faltar a um culto, fico inquieta” – Foto: Arquivo pessoal

Após a conversão, ela logo passou pelo batismo e se voluntariou como obreira. “É uma honra servir ao Senhor na Igreja da Graça, onde aprendi tudo o que sei sobre o mundo espiritual”. Nazaré, que tem 7 filhos e 13 netos, é uma senhora que cuida de si mesma e está bem ligada ao mundo à sua volta. Até bem pouco tempo, praticava atividade física três vezes por semana. Contudo, uma fratura no fêmur a obrigou a um longo e tedioso período de inatividade. “Mas o médico já me liberou para voltar!”, avisa.

“Todos querem ser um idoso saudável e realizado. Porém, muitos se sentem desamparados, pois a sociedade não se preparou para acolher e respeitar essa faixa etária”, observa o Pr. Lauro Doriel, da IIGD em Salvador (BA). Ele recebe idosos para atendimento espiritual e aconselhamento e recomenda uma ruptura com a inatividade: “Nosso conselho é que eles participem das programações da Igreja e se alimentem da Palavra. Fazendo assim, nossos velhos terão uma mente saudável e se adaptarão às novas realidades mais facilmente”.

Pr. Lauro Doriel enfatiza: na casa do Senhor, pessoas mais velhas recebem tratamento digno e se sentem úteis – Foto: Arquivo pessoal

Lauro enfatiza que, na Igreja, o idoso recebe um tratamento digno: “Ele descobre que sua vida tem, sim, grande valor para Deus e, na integração com os grupos, sente-se produtivo, fortalecido e amado”. O pastor desconstrói um mito em relação à religiosidade nessa etapa da vida: resistência à conversão. “A maioria já tem sua opinião formada devido à experiência, mas também está mais aberta a ouvir, desde que suas vivências sejam respeitadas. Creio que o Espírito Santo trabalha no coração de quem ouve a Palavra, idoso ou não.”

Viúva após 55 anos de casamento, a aposentada Elza Gomes Lins é uma obreira da IIGD da Avenida Cristiano Machado, no Centro de Belo Horizonte (MG): “Foi a primeira Igreja em que entrei e de onde nunca mais saí”, faz questão de dizer. “Eu professava outra fé. Eu a conheci no programa do Missionário, quando sofria de osteoporose. O médico dizia que não tinha cura. Restava tomar remédios pelo resto da vida, para aliviar as dores”, recorda-se. Convidada a participar da oração da fé, ela creu no poder do Senhor. Era madrugada, e R. R. Soares estimulou os telespectadores a verificarem os sintomas nos órgãos e partes do corpo afetados pela enfermidade: “Mexi as pernas, levantei os braços – coisa que não conseguia fazer –, e não senti dor. Estava curada!”.

Na Igreja, Elza conheceu um lado diferente da vida – o do amor de Deus. “Passo lutas, mas o Senhor me fortalece”. Aos 80 anos, ela está integrada à Igreja: faz visitas evangelísticas, ajuda na cozinha e foi até presidente do coral. “Antes, eu me sentia sozinha. Agora, não. Dizem que os velhos não podem fazer nada, esse blá-blá-blá todo, mas eu não me vejo assim”, comenta, em tom divertido. Avó de oito netos, ela é um exemplo de fé para a família. “O que Deus me mandar, eu faço”, ensina. “Aqui na Igreja, dizem que sou uma líder, no entanto não me acho líder. Sou apenas uma serva tentando agradar ao seu Senhor.”


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